letrasINvento


27/02/2006


poema meu em dezembro 2oo5

Credo Enigma




creio que há Anjos andando pela Terra
creio em Sereias, Duendes e Dragões.

creio nos Cristos ressucitados das religiões várias do Mundo
e que Jesus foi o mais sábio
creio nos Evangelhos Apócrifos
creio em Marcos, João, Mateus e Lucas

creio em Pasárgada, Kripton, Gotham City
creio na Atlântida e no País das Maravilhas


creio em Bruxas e em Vampiros
creio em Fantasmas, em Discos Voadores
creio em Cegonhas e em Peter Pan

creio que o Amor é a grande Força
que Dinheiro traz Felicidade
creio na vida além da Morte
creio que o Inferno é aqui

creio em Aquiles, Ulisses, Édipo
creio em Zumbi, Lampião
Cazuza , Cassia e Renato
creio em Mickey e em Branca de Neve

creio que Borges ficou cego antes de saber
creio que Ernest não queria se matar
nem Sílvia, nem Ana, nem Torquato, nem Virgínia
creio que Poetas têm tanta sede de Vida
que experimentam a Morte só pra ter Certeza

creio no Fenix que renasce
creio em Ninjas e Samurais
creio que alguém de fato sabe escrever Hai-Kais e Sonetos
creio em Versos Livres e Poemas Concretos

creio que Federico ainda está vivo
que Bandeira mora numa Estrela
e São Jorge dorme na Lua três vezes por mês
creio que Vinícius toma um whisky com Tom todas as Noites, antes de subirem ao Céu

creio que ainda vou crer
que existe Razão
qualquer
para que eu esteja Aqui
e não Ali,
do outro Lado
(Lado)

? musgo, pedra, ostra
repolho, acúleo, celacanto
alga marinha, coelho atrasado
gato sem botas
árvore com folhas vermelhas
ou gota de água
belisco de brasa
flagelo de vento
pedaço de pano roto
letra mal escrita
palavra mal dita
chinelo usado
chave perdida
elo de corrente alguma
estrada pra lugar nenhum
sombra de fantasma
desejo de condenado
bola de neve no meio do deserto?

(Esse)

creio que estou Nesse e não Naquele
Lado do rio
que passa bem longe, mas que molha o Chão
da tua Casa
através das Telhas
da calha
das minhas Lágrimas
mergulhos etéreos de um Nada que poderia ser Tudo
se assim estivesse Escrito
no meu Credo
albanegromonte

Escrito por Alba às 01h47 AM
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um sonho, uma cor

um sonho, uma cor

ph EBarrox

Escrito por Alba às 01h42 AM
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do meu herói.

talvez você não perceba que quando a enquadro e focalizo com a teleobjetiva e olho em seus olhos estou tentando dizer o que você não percebe que cada sorriso nervoso significa uma palavra de amor talvez você não repare que a cada clic eu entro mais um pouco dentro de você e talvez você não sinta que cada movimento que faço em torno de seu corpo tem ou deveria ter a intensidade de uma tempestade talvez você não repare - distraída entre as luzes da tarde ensolarada - que nosso gestual traduza danças in movimentos intímos que quando nos tocamos sem querer durante o café no balcão do bar já estamos fazendo amor e que a cada momento em que nos despedimos com palavras evasivas e sorrisos algo tristes estamos sempre nos opondo às nossas vontades, as reais, as de nos abraçarmos e ficarmos assim 'pra sempre' talvez você nunca tenha parado pra pensar que quando falo de jazz estou dizendo você e que quando você diz que gosta de jazz está me beijando a boca e que quando colocamos aquela música o que temos mesmo é tesão, desejo e todas aquelas coisas que falamos brincando dissimuladamente entre sorrisos de vinho tinto e as conversas das pessoas ao redor que nem vemos e raramente ouvimos  e talvez você nem saiba que quando nos vimos a primeira vez uma musiquinha de algum filme interior tocou e sabíamos que o encontro era definitivo talvez você nem tenha notado como meus olhos seguem os movimentos de seu corpo e de como eu inteiro bebo cada palavra que você diz talvez a gente fique nisso mesmo você me olhando nos olhos através da fotografia que eu fiz no exato instante em que você sorriu quando também olhou em meus olhos e nunca nos façamos amor de verdade. de qualquer forma talvez você nem saiba que entre tantas diferenças ou prazeres iguais já somos eternos um do outro e que nenhuma das energias existentes é suficiente pra anular o que sinto a cada sorriso que você me dá.
 
Eduardo Barrox

Escrito por Alba às 12h57 AM
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26/02/2006


Primeiro texto

tive todas as respostas, menos uma que me dissesse de ti o que sentes.
e no azulejo frio do banheiro, derrama-se a espuma do poema que te faria hoje, se não fosse ontem o teu silêncio de tudo.
 
(pousa na janela um rouxinol.
canta em si maior, a canção mais bela que meus ouvidos treinados em gritos de dor já ouviu nestes tantos anos de noites insones e cheias de sabedoria).
 
tenho todas as perguntas, menos aquela que me dará a resposta ansiada, desejada.
amaldiçoada pergunta que não chega até a ponta dos dedos que correm furiosos pela tela vazia, pela folha em branco que alça vôo pela janela em direção ao mar.
maldita resposta que te revelará a verdadeira face do desencanto de mim.
maldito querer esse que se chegou quando eu estava tão bem cá no escuro, com frio, morta de medo, mas sem a saudade incômoda do que nunca aconteceu e nem acontecerá.
 
uma mulher sobe as escadas do prédio arrastando as sandálias quebradas.
ponta de cigarro queima no tapete da sua sala e ela não sabe que morrerá queimada esta noite.
que o som dos tambores acolherá seus gritos de socorro, e antes que o dia termine
seu corpo carbonizado descerá ao Inferno envolto em brumas de um Avalon qualquer.
 
(diz-se que o Céu ou o Inferno, são a imagem poética que trazemos em nossas mentes desde os principios dos Tempos)
 
e não há cólera, trovão ou tempestade
que despetale a flor do esquecimento que brota no meu peito cheio de cicatrizes.
punhais de prata e balas de ouro, seguem zunindo meus lábios, e bebo um cálice de Absinto pra esquecer da dor
que é viver.
 
viver é difícil, perigoso e doloroso.
a vida nunca me foi fácil.
nunca vi Príncipe Encantado, nem tive nada caído do céu.
a não ser chuva, quando eu estava desprotegida e sem dinheiro pro taxi.
 
tem uma rua em Paris, que eu queria conhecer.
um filme com a Rita Hayworth que eu queria assistir.
um poema de Pessoa que nunca li.
um Cortazar que nunca tive.
mas não há tempo pra distrações.
 
a vida pesa e me leva pelas tormentas diárias, e
acordar cedo, dormir tarde, ouvir o barulho do motor, ter como carícia no final da noite dez travesseiros sobre a cama que amanhecem inesperedamente entre as pernas, é o que tenho pra correr, pra desesperar, pra me esperar.
 
a vida, meu amigo, dói pra quem não é santo nem puta.
a vida é revés.
é planta carnívora, esfinge de botequim: decifra-me e te devorarei do mesmo jeito, no final de tudo.
a vida é o prenúncio da Morte.
e a Morte é o descanso do guerreiro sem causa.
é a bandeira branca que se desfralda quando já não se aguenta o torpor, a miséria, a solidão e o sal das lágrimas derramadas já enche um pote de vidro.
 
a vida se esparrama pela ladeira, quebra os vasos onde guardamos as violetas, e se faz em cores de Almodóvar pelos vestidos de Frida Kahlo.
a vida exige um poema de Bernardo Soares (o heterônimo desprezado).
a vida quer ser filmada por Tarantino, estrelada por Jonh Turturro e Angelina Jolie.
a vida é uma página de jornal onde você lê seu obituário e não acredita que já se passou tanto tempo que você está do outro lado do espelho e o que está sendo vivido e morto agora, é apenas o reflexo invertido da soma das hipotenusas de Einstein, que são tão tristes quanto uma tela de Munch.
 
a vida, deste lado do espelho é a morte.
irmãs siamesas desde o Caos até o Apocalipse.
e só se desfazem em duas quando sempre foram unas, quando o nó do destino refaz o caminho desta hora até o dia em que você nasceu
e chorou pela primeira vez. como quem já sabia o que lhe esperava  neste canto desgovernado, sem eira, sem porteira, nonada de Rosa 50 anos de incompreensão, e sem setas indicativas que é o Planeta Terra.
 
albanegromonte

Escrito por Alba às 10h25 PM
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