letrasINvento


14/05/2006


Cortazar no bolso

Um cronópio pequenino procurava a chave da porta da rua na mesa-de-cabeceira, a mesa-de-cabeceira no quarto, o quarto na casa, a casa na rua. Aqui parava o cronópio, porque para sair para a rua precisava da chave da porta.

Julio Cortázar

 


Escrito por alba N. às 11h30 AM
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Sylvia Plath


Canção de Amor da Jovem Louca



Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

 

Escrito por alba N. às 11h23 AM
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Mothers

A todas as mulheres do Universo
destinadas ao mais belo trabalho de Deus: conter sua criatura, dela cuidar, até estar pronta para ir à luta.
Ás mães de muitos filhos.
Às mães de um filho só.
Às mães que perderam seus filhos.
Às mães que nunca embalaram seu sonho de filhos.
Às mães presentes.
Às mães que partiram.
Às mães que moram longe.
Às que ainda moram com seus rebentos.
Às avós que são mães duas vezes.
Às tias que são mães de brincadeira.
Às mães  valentes que adotaram seus filhos.
Às mães que ainda carregam seu filho no ventre.
Às mães que estão parindo hoje, o futuro.
Ás mães que farão seus filhos hoje.
Às mães inteiras em amor.
À grande Mãe que reside em cada Mulher.
 
Felizes dias todos em suas caminhadas.
 
albanegromonte
 

Escrito por alba N. às 10h44 AM
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13/05/2006


Angel Dream

pois haverá um dia,
em que teu símbolo pousará na minha nuca
e na minha perna vai sobreviver um dragão.
e a cruz que mora no meu umbigo
será o teu altar de desejo.
haverá um dia, em que estaremos com nossos corpos juntos,
já que nossas almas já cuidaram de se encontrar.
pois neste dia, nosos beijos molhados de lágrimas pelo tempo perdido vão travar os ponteiros dos relógios do aeroporto
e tuas mãos buscarão meus cachos de mel, tentando achar um pensamento que não seja para ti
e minha mão aquietará teu peito com o coração explodindo camiseta afora.
e aos 45 minutos do primeiro tempo,
a gente vai dizer: oi!
e arrastando minha mala cor-de-rosa pista do céu lá fora
vamos falar ao mesmo tempo: você é do jeito que imaginei.
e nossas bocas se calarão para o segundo tempo dos beijos mais desejados das nossas vidas.
lamberei teus lábios, morderei de leve, serpentearei tua língua como se fosse uma gueixa tropical
e zonzos ainda, teus lábios buscarão o mais profundo da minha boca, antecipando o que virá logo mais
quando fecharmos a porta do quarto do mundo
e formos só nós.
sem palavras, dois escrevinhadores
terão apenas mãos e lábios pra dizer qualquer coisa...
e no fim do jogo empatado
vou recostar minha cabeça no teu peito
e perguntar: como está você?
 
yours
albanegromonte
 
 
 

Escrito por alba N. às 01h59 AM
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12/05/2006


Maiakovski

EU

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneos de frases ásperas
Onde
forcas
enganam cidades
e em nós nuvens coagulam
pescoços de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos
polícias.

 

 

 

Escrito por alba N. às 08h54 PM
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11/05/2006


Pra quem sabe amar

"No me busques ahí
 Donde los vivos visitan
 A los llamados muertos.
 Búscame
 Dentro de las grandes aguas
 En las plazas
 En el fuego corazón
 Entre caballos, perros,
 En los arrozales, en el arroyo
 O junto a los pájaros
 O en el reflejo
 De otro alguien,
 Subiendo un duro camino
 Piedra, semilla, sal
 Pasos de la vida. Búscame ahí.
 Viva."

Hilda Hilst

Escrito por alba N. às 12h59 AM
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Elizabeth Bishop

Uma arte

 

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.

 

Escrito por alba N. às 12h34 AM
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U2

 Miss Sarajevo
 
Is there a time for keeping your distance
A time to turn your eyes away.
Is there a time for keeping your head down
For getting on with your day.

Is there a time for kohl and lipstick
A time for cutting hair
Is there a time for high street shopping
To find the right dress to wear.

Here she comes, heads turn around
Here she comes, to take her crown.

Is there a time to run for cover
A time for kiss and tell.
Is there a time for different colours
Different names you find it hard to spell.

Is there a time for first communion
A time for East 17
Is there a time to turn to Mecca
Is there time to be a beauty queen.

Here she comes, beauty plays the clown
Here she comes, surreal in her crown.

"Dici che il fiume trova la via al mare
E come il fiume giungerai a me
Oltre i confini e le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume...
L'amore giunger
l'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare."

(You say that the river
finds the way to the sea
and like the river
you shall come to me
Beyonde the borders
And the thirsty lands
You say that as a river
like river...
Love shall come love
And I'm not able to pray anymore
And I cannot hope in love anymore
And I cannot wait for that love anymore)


Is there a time for tying ribbons
A time for Christmas trees.
Is there a time for laying tables
And the night is set to freeze.

 


Escrito por alba N. às 12h25 AM
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10/05/2006


imaginarium





Bebo teu beijo imaginado como o bêbado bebe a última gota de cachaça no fundo da garrafa:
Com satisfaçao sádica.

Aprecio os teu delírios de palavras&imagens
soprando pra dentro de ti minhas loucuras perdidas&desencontradas

E assim...
fazemos quebra-cabeças de imagens&palavras onde cada um perderá a sua.

- quem será a Alice desta história?

prefiro ser o Coelho já que cheguei atrasada na tua história.
Teu abraço é um sonho construído por mim,
de mil mundos nunca vistos e dimensões que creio existirem além das cascas de nozes
Teu beijo imaginado suga de forma única e inútil a minha alma,
mas me curvo de pronto nessa entrega avessa,
real&virtual de delirios imensos que não posso aquietar.

Nem com todos os sonhos do mundo.

Meu corpo é escravo desta tua imagem criada no meu peito, tatuada no coração que pulsa&pulsa por baixo da blusa diáfana.
-Será minha alma, que também pulsa por baixo da pele morena, um pássaro em vôo suicida?

(Teu olhar imaginado, tem a negritude de um mar infinito, onde posso mergulhar e me afogar)
Bebo teu corpo como o vampiro bebe
o sangue da sua amada.
Bebo tua alma como os demônios e os anjos
bebem o delírio das almas incautas.

És minha presença em mim.
Tua sombra sou eu, que te invoco em sonhares acordados.
Em terras de gente foragida ou devastada pelas guerras dos homens:
lá estou para te lembrar,
que estás em mim, ainda que não queiras admitir.
Em ilha afogada em pântanos,em lagos assombrados e em rios indomáveis.
Sou realejo que toca canções assombrosas&melodiosas rasgando o silêncio da eternidade.

Nestes recantos intocáveis e invisíveis aos olhos não-líricos,
lá estou para lembrar-te que tu vives da lembrança que só eu poderei te dar.
Pois tu és sombra&luz que me assusta e faz-me um tanto feliz
Eu sou a tua luz&sombra que entontece.

Somos o desacerto da noite com o dia, do sol com a lua, do mar com o horizonte, de Deus com o Diabo.
Somos estrelas, somos carne, somos espírito e ossos inquebráveis.
Somos luz, e também sombra que se acende
e que, inevitavelmente apagará nossas memórias

um dia...



albanegromonte

 

Escrito por alba N. às 10h31 PM
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09/05/2006


a prayer to my angel

eu conheço um anjo.

nunca o vi, mas sinto-lhe a presença diária em telefonemas e e-mails (o Paraíso está informatizado).

meu anjo tem olhos rasgados e cara de menino (outro dia achei uma foto dele caída da sua asa. é muito lindo meu anjo.

de manhã, ele me toca o celular, apenas para que eu saiba que ele está ali em vigília e que eu me comporte.

à tarde, ele repete o ritual.

à noite, Deus permite que meu anjo vá a um Cyber na Paulista, disfarçado em junker boy, e conversamos um tempão.

meu anjo pede pra me ver, mas nunca se mostra.

parece que não pode.

diz que sou bonita e que pareço um bebê, tamanha inocência diante das serpentes que me rodeiam para dar o bote, e também porque já lhe mostrei minha coleção de bonecos e pelúcias.

outro dia, conversamos por telefone, e sua voz mansa e terna me fizeram bem ao coração que anda meio combalido.

meu anjo é the best one!

gosta de Cortazar, Bukowski, Lou Reed, Borges, Hendrix... e quase tudo que eu também gosto.

me explicou que os anjos são escolhidos para proteger semelhantes.

pra não ter briga.

meu anjo é cinéfilo. nos últimos dias tem falado muito naquele filme do Win Wenders... será que meu anjo quer ser mortal?

hoje não vi meu anjo.

mas sei que da nuvem onde ele está, pensa em mim e me protege dos males do mundo.

obrigado anjo, por surgir na minha vida.

beijos nas asinhas felpudas

 

albanegromonte

 

 

Escrito por alba N. às 11h42 AM
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05/05/2006


conto de Julio Cortazar



O Rio  (do livro Final de Jogo) 

 

Sim, parece que é assim, que você se foi dizendo não sei o quê, que você ia se atirar no Sena, ou coisa parecida, uma dessas frases de noite alta, misturadas de lençol e boca pastosa, quase sempre na escuridão ou com pedaços de mão ou de pé roçando o corpo de quem mal ouve, porque faz tanto tempo que mal ouço você quando diz coisas assim, isso vem do outro lado dos meus olhos fechados, do sonho que outra vez me atira para baixo. Então está bem, que me importa se você se foi, se você se afogou ou ainda caminha pelo cais olhando a água, e além disso não é verdade, porque você está aqui adormecida e respirando entrecortadamente, mas então você não tinha ido quando se foi em algum momento da noite, antes de que eu me perdesse no sonho, porque você havia ido dizendo alguma coisa, que ia se afogar no Sena, quer dizer que teve medo, renunciou e de repente está aí quase me tocando, e se mexe ondulando como se algo trabalhasse suavemente no seu sonho, como se de verdade você sonhasse que saiu e que depois de tudo chegou aos molhes e se atirou na água. Assim uma vez mais, para dormir depois com a cara ensopada por um pranto estúpido, até as 11 da manhã, a hora em que trazem o jornal com as notícias dos que se afogaram de verdade.

 

Você me faz rir, coitada. Com suas trágicas determinações, esse jeito de andar batendo as portas como uma atriz de tournées de província, a gente se pergunta se realmente você acredita nas próprias ameaças, em suas chantagens repugnantes, suas inesgotáveis cenas patéticas untadas de lágrimas e adjetivos e histórias. Você mereceria alguém mais dotado que eu para que desse a réplica, então se veria formar o casal perfeito, com o estranho mau cheiro do homem e da mulher que se destroçam olhando-se nos olhos para garantir o distanciamento mais precário, para sobreviver ainda e voltar a começar e a perseguir inesgotavelmente sua verdade de terreno baldio e fundo de caçarola. Mas você sabe, escolho o silêncio, acendo um cigarro e ouço você se queixar (com razão, mas o que posso fazer), ou o que é ainda melhor, vou adormecendo, quase embalado por suas imprecações previsíveis, com os olhos entrecerrados confundo ainda por um instante as primeiras lufadas dos sonhos com seus gestos num ridículo camisão, sob a luz do abajur que nos deram de presente quando casamos, e acho que afinal durmo e levo, confesso-lhe quase com amor, a parte mais aproveitável dos seus movimentos e suas acusações, o som estalante que deforma os seus lábios lívidos de raiva. Para enriquecer os meus próprios sonhos onde jamais alguém pensa em se afogar, creia-me.

 

Mas se é assim, pergunto-me que está você fazendo nesta cama que tinha decidido abandonar pela outra mais imensa e mais deslizante. Agora acontece que você está dormindo, que de quando em quando mexe uma perna que vai mudando o desenho do lençol, parece zangada com alguma coisa, não muito zangada, é como um cansaço amargo, seus lábios esboçam um ricto de desprezo, deixam escapar o ar entrecortadamente, recolhem-no a breves inspirações, e acho que, se não estivesse tão exasperado por suas falsas ameaças, admitiria que você é outra vez bela, como se o sonho restituísse você um pouco para o meu lado, onde o desejo é possível e até a reconciliação ou novo prazo, algo menos turvo que este amanhecer onde começam a rodar os primeiros carros e os galos desnudam abominavelmente sua horrenda servidão. Não sei, já nem sequer tem sentido perguntar outra vez se em algum momento você se tinha ido, se era você que bateu a porta ao sair no mesmo instante em que eu escorregava para o esquecimento, e talvez seja por isso que prefiro tocar em você, não porque duvide que esteja aí, provavelmente em nenhum momento você deixou o quarto, talvez um golpe de vento fechou a porta, sonhei que você tinha ido, enquanto você, pensando que eu estava acordado, gritava sua ameaça dos pés da cama. Não é por isso que toco em você, na penumbra verde do amanhecer é quase doce passar a mão por esse ombro que estremece e me rechaça. O lençol só cobre você pela metade, meus dedos começam a descer pelo terso desenho de sua garganta, inclinando-me respiro seu hálito que cheira a noite e xarope, não sei como meus braços enlaçaram você, ouço uma queixa enquanto você arqueia a cintura negando-se, mas os dois conhecemos muito bem esse brinquedo para acreditar nele, é preciso que você me abandone a boca que arqueja palavras soltas, de nada vale que seu corpo amodorrado e vencido lute por escapar, somos a tal ponto uma mesma coisa nesse embaraço de novelo de lã, onde a lã branca e a lã negra lutam como aranhas na cópula. Do lençol que mal cobria você, consigo entrever  lufada instantânea que sulca o ar para se perder na sombra e agora estamos nus, o amanhecer nos envolve e reconcilia numa só matéria trêmula, mas você se obstina em lutar, encolhendo-se, lançando os braços sobre minha cabeça, abrindo como um relâmpago as coxas para voltar a fechar sua tenazes monstruosas que gostariam de me separar de mim mesmo. Tenho que dominar você lentamente (e isso, você sabe, eu sempre fiz com uma graça cerimoniosa), sem lhe causar dano vou dobrando os juncos dos seus braços, abraço-me a seu prazer de mãos crispadas, de olhos enormemente abertos, agora seu ritmo afinal se afunda em movimentos lentos de moiré, de profundas borbulhas subindo até meu rosto, suavemente acaricio seu cabelo derramado no travesseiro, na penumbra verde olho com surpresa minha mão que goteja, e antes de escorregar para o seu lado sei que acabam de tirar você da água, tarde demais, naturalmente, e que você jaz sobre as pedras do cais, rodeadas de sapatos e de vozes, nua e de barriga para cima, com seu cabelo ensopado e seus olhos abertos. 

Escrito por alba N. às 01h05 AM
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04/05/2006


D'Além Mar

Surgiu no palco, um dia um bailarino,
Surgiu soberbamente nu, - jogando
Nas mãos ageis de clown e de menino
Cem máscaras rodando, rodopiando...

Sobre um décor violento e sibilino
Cegamente bailou, tombou bailando,
Como se mais não fora seu destino
Que os eu bailado altivo e miserando.

No palco jaz agora um mutilado:
Jaz morto e nu, decapitado, olhado
Por milhões de olhos sem pudor nem vista.

...Que as máscaras sem fim que ele jogara
Não eram mais, talvez, que a própria cara
Dum desgraçado e humano ilusionista!

 (José Régio)

Escrito por alba N. às 12h51 AM
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fragmento de canção...

traduzida por My angel
 
 
 
Me leve para sair esta noite
Leve-me para qualquer lugar,
eu não ligo
Apenas dirigindo em seu carro
Eu jamais quero ir para casa
Porque não tenho uma
Não tenho uma...
"There's A Light That Never Goes Out"
 
(THE SMITHS)
 
 
 

Escrito por alba N. às 12h40 AM
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03/05/2006


Fragmento de poeta

" ...
: sou obscura para mim mesma. Só tive inicialmente uma visão lunar e lúcida, e então prendi para mim o instante antes que ele morresse e que perpetuamente morre. Não é um recado de idéias que te transmito e sim uma instintiva volúpia daquilo que está escondindo na natureza e que adivinho. E esta é uma festa de palavras.... "


Clarice Lispector - Agua Viva

 

 

Escrito por alba N. às 09h41 PM
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Baú do Raul

"Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida?
Existem tantas... um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal aplicada.
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio..."

Canto para minha morte-Raul Seixas

 

Escrito por alba N. às 01h26 AM
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