letrasINvento


27/05/2006


Cecília Meireles

“Minha vida começa num vergel colorido, por onde as noites eram só de luar e estrelas.

…aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."

Escrito por alba N. às 02h27 PM
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20/05/2006


Estrela Perigosa



Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.

No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.

Clarice Lispector

 

Escrito por alba N. às 10h08 PM
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Violet

em meu olhar, pousa um rouxinol mudo. em águas turvas entro com pedras nos bolsos da camisa que me cobre o corpo. o mar me chama. a tristeza de mim, empurra cada passo dentro da água pontilhada de estrelas que deveriam estar no céu.
Cortazar me disse que a violeta é uma cor triste.
eu acreditei. e uma violeta viva se atirou de um décimo andar na avenida que olha pro Atlãntico, bem a meus pés, então entendi a tristeza de ser violeta.
é mesmo triste ser tão sensível. a dose a mais ou a menos de cuidado... fere, castiga, rasga e mata.
violeta que sou e nem sabia, me atirei junto com esta que me abraçou no último suspiro do décimo andar onde moras e corri pro mar, catando pedaras e conchas pelo caminho areado, e jogando nos bolsos da camisa que guarda um coração que só bate por teu existir, e se tu já és morto em mim, não pode mais existir tal coração.
eu e a violeta entramos no mar e acolhidas fomos pela rainha que nos disse bem vindas ao Paraíso, enfim.
morremos.
eu e a violeta atirada da tua janela.
 
albanegromonte

Escrito por alba N. às 03h42 PM
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16/05/2006


BlowUp

 

houve um dia.

não era Outono. era Outubro.

eu na cama, penteando os cabelos, desavergonhadamente nua, como se fosse comum entre nós.

me vi deitada sobre lençóis azuis&laranjas

janelas fechadas

abajour aceso

incenso no ar

e no vazio etéreo da minha imaginação de louca

vi Antonioni dirigindo a clássica cena

onde a câmera é a retina do homem.

mas eu não estava de saia azul.

e ele não ficou comigo.

 

albanegromonte

Escrito por alba N. às 11h00 AM
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Roubei do meu Poeta Zé Braz...

 

 

De vez em quando tropeça-se em fragmentos de uma beleza extraordinária.

 

Vejam só este trecho retirado do Libro de las Preguntas, de Neruda:

 

 

Dónde está el niño que yo fui,

Sigue adentro de mí o se fue?

Sabe que no lo quise nunca

Y tampoco me quería?

Por qué anduvimos tanto tiempo

Creciendo para separarnos?

Por qué no morimos los dos

Cuando mi infancia se murió?

Y si el alma se me cayó

Por qué me sigue el esqueleto?

 

Escrito por alba N. às 09h23 AM
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