“Minha vida começa num vergel colorido, por onde as noites eram só de luar e estrelas.
…aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."
“Minha vida começa num vergel colorido, por onde as noites eram só de luar e estrelas.
…aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."
Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.
No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.
Clarice Lispector


houve um dia.
não era Outono. era Outubro.
eu na cama, penteando os cabelos, desavergonhadamente nua, como se fosse comum entre nós.
me vi deitada sobre lençóis azuis&laranjas
janelas fechadas
abajour aceso
incenso no ar
e no vazio etéreo da minha imaginação de louca
vi Antonioni dirigindo a clássica cena
onde a câmera é a retina do homem.
mas eu não estava de saia azul.
e ele não ficou comigo.
albanegromonte
De vez em quando tropeça-se em fragmentos de uma beleza extraordinária.
Vejam só este trecho retirado do Libro de las Preguntas, de Neruda:
Dónde está el niño que yo fui,
Sigue adentro de mí o se fue?
Sabe que no lo quise nunca
Y tampoco me quería?
Por qué anduvimos tanto tiempo
Creciendo para separarnos?
Por qué no morimos los dos
Cuando mi infancia se murió?
Y si el alma se me cayó
Por qué me sigue el esqueleto?
