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15/07/2006


O Gnomo do Rock

 

Saudades sempre, Syd Barrett.

O rock lhe deve uma conta.

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Escrito por alba N. às 06h49 PM
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Repetição de Nada

Se era pra ser assim,

devia ter me avisado, devia ter me contado que o azul

era na verdade lilás

e que as borboletas um dia voltarão a ser lagartas.

Não tem perdão esta invasão bárbara

nas terras já devastadas do meu pobre e cansado coração.

Já vi este filme.

Eu morro no final.

E quando os créditos estão descendo a ladeira da solidão da sala de projeção,

sempre há alguém que lê  a trilha sonora,

finge gostar e avança sobre meu vulto

inquieto e carente

E vai-se a minha paz tumular

Renasço da cinzas mais uma vez

E sabendo que morrerei sempre de desengano

Abro as cortinas da janela

e recebo mais um bem-querer que vai me

maltratar, machucar e levar um pouco de mim

por aí...

 

albanegromonte

 

Escrito por alba N. às 06h38 PM
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10/07/2006


Allen Ginsberg

          Canção

        O peso do mundo
                 é o amor.

        Sob o fardo

               da solidão,

        sob o fardo

              da insatisfação

         

               o peso
        o peso que carregamos
                é o amor.
         

        Quem poderia negá-lo?
                  Em sonhos
        nos toca
              o corpo,
        em pensamentos
                constrói
        um milagre,
                 na imaginação
        aflige-se
                 até tornar-se
        humano -
         

        sai para fora do coração
                 ardendo de pureza -
         

        pois o fardo da vida
                  é o amor,
         

        mas nós carregamos o peso
                   cansados
        e assim temos que descansar
        nos braços do amor
                  finalmente
        temos que descansar nos braços
                   do amor.
         

        Nenhum descanso
                sem amor,
        nenhum sono
                sem sonhos
        de amor -
                   quer esteja eu louco ou frio,
        obcecado por anjos
                   ou por máquinas,
        o último desejo
                  é o amor
        - não pode ser amargo
                 não pode ser negado
        não pode ser contigo
                   quando negado:
         

        o peso é demasiado
                  - deve dar-se
        sem nada de volta
                 assim como o pensamento
        é dado
                 na solidão
        em toda a excelência
                 do seu excesso.
         

        Os corpos quentes
                  brilham juntos
        na escuridão,
                  a mão se move
        para o centro
                da carne,
        a pele treme
                  na felicidade
        e a alma sobe
                 feliz até o olho -
         

        sim, sim,
                   é isso que
        eu queria,
                  eu sempre quis,
        eu sempre quis
                 voltar
        ao corpo
                 em que nasci.

         

Escrito por alba N. às 11h29 AM
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